Mix grande, prateleira pequena: como decidir o que repor primeiro
Centenas de itens, cada um com o seu giro. Como usar os mais vendidos, a curva ABC e o estoque mínimo para decidir a reposição sem depender do olho.
A cliente chega pedindo o hidratante de sempre, e ele acabou ontem. Na prateleira ao lado, três linhas que quase não saem ocupam o espaço que faltou para ele. Quem tem loja de cosméticos e perfumaria conhece a cena: o mix é grande, a prateleira é pequena, o dinheiro para estoque é contado, e cada distribuidora tem o seu prazo e o seu pedido mínimo.
Repor no olho funciona enquanto o mix é pequeno. Com centenas de itens, cada um com um ritmo de venda, o olho falha nos dois sentidos: deixa faltar o que vende e compra de novo o que já sobra. Este texto mostra três ferramentas simples para trocar o olho por números: a lista dos mais vendidos, a curva ABC e o estoque mínimo.
Comece pelo que sustenta a loja
Nem todo item merece o mesmo cuidado. Em quase toda loja de mix grande, uma parte pequena dos produtos responde pela maior parte das vendas. A curva ABC organiza isso em três grupos:
- A: os poucos itens que mais vendem. Faltar um deles é perder uma venda quase certa e, muitas vezes, a paciência da cliente.
- B: os itens de venda intermediária.
- C: a maioria do mix, que vende pouco item a item.
A consequência prática é direta. A reposição dos itens A não pode depender de alguém lembrar: para eles, vale conferir o saldo toda semana e manter um estoque mínimo mais folgado. Para os itens C, a pergunta é outra: o item merece continuar ocupando prateleira?
A lista dos mais vendidos da semana ou do mês é a porta de entrada. Ela não faz o trabalho da curva ABC, porque mostra só os primeiros colocados, e não o mix inteiro, mas mostra rápido onde não pode faltar. Se um item aparece entre os mais vendidos todo mês, ele merece o cuidado de um item A, mesmo antes de alguém fazer a conta.
Estoque mínimo: o número que avisa antes
Estoque mínimo é a quantidade que, quando atingida, diz que é hora de pedir. Ele não é um chute: sai do ritmo de venda e do prazo de entrega. Uma conta simples resolve a maior parte dos casos: venda média por dia vezes o prazo de entrega da distribuidora, mais uma folga para os dias de movimento acima do normal.
Por exemplo: um hidratante que vende, em média, 3 unidades por dia, de uma distribuidora que entrega em 5 dias, precisa de pelo menos 15 unidades na prateleira no momento em que o pedido sai. Com uma folga de 5 unidades, o mínimo fica em 20. Quando o saldo chega a 20, é hora de pedir.
Três cuidados com o mínimo:
- Revise quando o ritmo mudar. Um item que passou a vender mais, ou deixou de vender, precisa de um mínimo novo. Mínimo antigo em item que acelerou é ruptura anunciada.
- Considere o pedido mínimo da distribuidora. Muitas vezes vale juntar a reposição de vários itens da mesma distribuidora num pedido só. O mínimo de cada item ajuda a decidir quando esse pedido fecha: o primeiro item A que chegar ao mínimo puxa os outros.
- Antecipe as datas fortes. Dia das Mães, Dia dos Namorados e Natal mudam o ritmo de kits e presentes. Revise o mínimo desses itens algumas semanas antes, porque o prazo da distribuidora não encurta na data.
Os itens C: manter, trocar ou deixar sair
Prateleira ocupada por item que não gira é dinheiro parado. Para cada item C, três perguntas:
- Ele completa uma linha que vende bem? Às vezes o item vende pouco, mas sem ele a linha parece incompleta na prateleira. Pode valer manter, com estoque baixo.
- Existe um substituto que gira mais? Uma fragrância parada pode dar lugar a outra da mesma família olfativa com mais saída.
- Está parado há quanto tempo? Item sem venda há meses é candidato a sair do mix: depois de vender o que sobrou, ele não volta no próximo pedido.
Tirar um item C do mix abre espaço para o que vende e libera dinheiro para manter os itens A sempre na prateleira. É a mesma prateleira, trabalhando melhor.
Validade é rotina de prateleira
Em cosméticos, a validade pesa na decisão de compra. Aqui é preciso ser claro: o cadastro de produtos do Clarumi não controla validade nem lote. Essa conferência continua sendo física, na prateleira e no estoque.
Algumas práticas ajudam:
- O primeiro que vence é o primeiro que sai. Na reposição, o produto novo vai para trás, e o que vence antes fica na frente.
- Confira uma seção por semana. Dividir a loja em seções e conferir uma por semana evita a surpresa de vários itens vencendo juntos.
- Compre na medida do giro. Estoque mínimo bem ajustado também protege da validade: quem compra demais de um item C costuma descobrir o excesso quando ele já está perto de vencer.
Onde o Clarumi ajuda
O painel do Clarumi mostra as vendas, o ticket médio e o caixa do dia, e os produtos mais vendidos. Ele mostra o que foi registrado; a leitura, o que repor e o que deixar sair, é sua.
Cada venda registrada movimenta o saldo do estoque, e o alerta de estoque baixo avisa quando um produto chega ao estoque mínimo configurado nele. Sem o mínimo cadastrado no produto, não há alerta. E o saldo é tão bom quanto o cadastro e as entradas: contagem e ajuste continuam com a loja.
A Lumi, que aponta o que pede atenção na operação, inclui o estoque abaixo do mínimo entre esses pontos. O apontamento depende da permissão de quem acessa e da qualidade do cadastro, e, quando não dá para avaliar, ela diz que não avaliou. Ela aponta; quem decide o pedido é você.
A partir do Essencial, os relatórios de vendas, produtos e margem, com a curva ABC, ajudam a separar os itens A dos C sem montar planilha.
Os recursos de cada plano estão na página de planos.
Produzido com apoio de IA e revisado pela equipe Clarumi.